Quem sou eu

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Belo Campo, Bahia, Brazil
QUEM SOU EU? Não posso falar quem sou usando apenas uma palavra Nem mesmo uma única frase As palavras que expressam quem sou não cabem neste espaço Não sou nada Mas ao mesmo tempo um monte de coisas. Sou um pouco de alegria misturado com tristezas Sou um pouco de dor Um pouco de solidão Sou um pouco do que os meus amigos me ensinaram a ser O pouco do que o meus inimigos me fizeram aprender Um pouco da minha família Um pouco de religião Ódio Amor Paixão Sou um pedaço de mágoa e uma medida de perdão Sou uma pessoa comum Como qualquer outra Simples Porém com porções diferentes Mostro meu sorriso quando é preciso sorrir Mas... Também choro nos momentos em que precisar. Afonso Martins

sábado, 30 de outubro de 2010

Hiperestesia: Numa manhã de domingo a pensar em ti...


Descubro, na dormência do dia que se estende,
que não há distância maior ou menor
entre os sonhos e a realidade que nos separa.

Tudo é feito da mesma matéria,
do mesmo silêncio compartilhado,
da mesma intensidade de desejos
a latejar no corpo,
a torturar a alma,
a devastar como doença
cada célula do meu corpo...

então, paraliso.
Paro no tempo por indeterminado momento...
e, em pensamento, vou ao teu encontro.

Levada pelo vento
transponho montanhas,
sigo por estradas de terra batida,
pelas margens dos rios límpidos
em busca do teu sorriso cristalino,
do teu olhar de calmaria,
do teu abraço de paz continuada.

Diluindo o azul, vem o sol,
de um amarelo pálido,
quase doente...
(as manhãs endomingadas
são sempre assim na tua ausência...)

E esta angústia que vai dentro de mim
derrama dos olhos e pinta de tristeza
a natureza à minha volta...
(talvez...)

Talvez seja apenas saudade
de te ver refletido em minhas pupilas,
de te ter em meus braços, num abraço infinito.

Ao longe,
os pássaros entoam uma canção de lamento.
O tempo não passa, quando estou longe de ti...
(tudo parece seguir o seu curso,
em câmera lenta...)

És minha ambição e meu vício
e insisto, neste sentimentalismo pobre e vadio,
que mais parece uma prece
de uma virgem aflita a rezar estações intermináveis,
a se impor penitências de pecados não cometidos,
a suplicar o teu amor pela eternidade...

Apago o sol com a ponta dos dedos,
inverto o movimento de rotação da Terra
e anoiteço, nesta falta sentida
do teu corpo junto ao meu.

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